24
maio
13

Com o buda no corpo – IOGA

Não para pernas dormentes sobre o tapetinho de meditação. O negócio deste lama tibetano é acordar o esqueleto. E viajar o mundo mudando o corpo das pessoas.

Mestre iogue e médico formado na tradição do seu país, Tulku Lobsang, 36, estará em São Paulo na próxima semana para ensinar técnicas do budismo tântrico, corrente que “pratica a felicidade no corpo”, como disse à Folha.

Algumas linhas, fora e dentro do budismo, usam a experiência do sofrimento para “libertar a pessoa de si mesma”; o tantra usa o estado de felicidade para o mesmo fim.

Só que não se trata de felicidade-cabeça, não é coisa mental que precisa ser conceituada e discutida para acontecer. É felicidade extática [“bliss”, o lama diz], que você sente rapidamente no corpo e ninguém precisa lhe explicar por que é bom.

Entre as práticas usadas para gerar felicidade corporal está a ioga tibetana, ilustre desconhecida por aqui.

No Brasil, o que há de mais popular em termos de ioga tibetana são os Cinco Ritos, série curta e fácil que tem a fama de “elixir da juventude”.

O “Lu Jong”, que o lama vai mostrar num workshop, também é uma série de cinco exercícios. “Lu Jong” significa “transformação do corpo”. A série é feita em pé e toma uns 15 minutos diários. A exemplo da ioga hindu, tem foco na coluna, só que é feita sem posturas estáticas e não exige flexibilidade.

Os movimentos de flexão, rotação e extensão do tronco massageiam cada vértebra. As sequências, nem muito lentas nem muito rápidas, são simples de serem executadas e trabalham simetria, equilíbrio, respiração e, naturalmente, postura.

Embora seja ginástica suave, você sente a temperatura do corpo subir ao praticar. Parece uma dança e funciona como meditação em ação, já que é impossível realizar os movimentos tendo a mente distraída por outra coisa que não o próprio exercício.

“A técnica gera energia e calor interno, que geram calma e êxtase”, diz o mestre.

Reza a lenda que o “Lu Jong” foi criado por monges eremitas. Como ficavam meditando nas montanhas, precisavam de técnicas para manter o corpo condicionado, o sistema imunológico forte e o poder de autocura.

“A prática de Lu Jong libera as tensões, os bloqueios energéticos e a confusão mental que acumulamos diariamente. Ela restaura o equilíbrio do nosso espaço interno. Isso pode mudar o seu dia e a sua vida, porque a vida é nada mais que um dia”, repete o lama Tulku Lobsang.

Além de “Lu Jong”, ele vai dar um workshop de “Tsa Lung”, técnica que combina movimentos com retenção da respiração; e outro intitulado “Tummo Bliss”, método meditativo misturando respiração, posturas e visualizações. O programa inclui palestras sobre sexo e espiritualidade, amor e estresse na perspectiva tântrica.

São práticas e teorias às quais Tulku Lobsang, que nasceu em uma família de agricultores, teve acesso a partir dos 13 anos, quando foi considerado a reencarnação de um grande iogue e passou a receber educação especial em mosteiros e com professores particulares.

Há 12 anos ele tem viajado por países ocidentais. Em 2002, fundou o Centro de Medicina Budista Nangten Menlang, que tem representações em vários países europeus e sede na Índia, onde o lama mora desde 1993.

Leia trechos da entrevista.

SEXO E ESPIRITUALIDADE

Sexo é amor. Usar o desejo no caminho espiritual é parte fundamental do budismo tantrayana. O sexo e o amor têm a mesma natureza, ambos são felicidade, ambos são “bliss”. O sentimento advindo do sexo é puro, é amoroso, é alegre, é “bliss”. O problema é que atribuímos a esse sentimento um conceito, uma solidez egocêntrica, então só enxergamos a nós mesmos, e é esse processo mental que causa sofrimento. O sentimento, na verdade, nunca causa sofrimento, mas sim o conceito que fazemos e temos desse sentimento.

No tantrayana dizemos que é possível transformar o sentimento do sexo em grande amor e eliminar qualquer conceito sólido e egoísta. Então o que sobra é o puro amor.

Pensamos que o desejo, o apego e o sexo são negativos não pela sensação que nos trazem, mas pelo conceito sólido e egoísta que atribuímos a esses sentimentos. Sexo é amor –e um amor muito fácil de alcançar. O uso da energia sexual é uma das formas mais fáceis de praticar um caminho espiritual.

FOGO INTERNO

O “Tummo”, ou fogo interno, é uma prática budista especial que usa a energia sexual para alcançar um elevado nível de meditação. São técnicas específicas para abrir os canais e centros energéticos corpóreos e deixar o fogo interno fluir desde o chakra umbilical até o chakra coronário, que é estimulado a produzir milhares de hormônios, substâncias químicas de prazer que fluem pelo corpo conferindo a sensação orgástica.

Se aprendemos a reter esse hormônio do prazer, ele vai aumentando e a sensação se espalha pelo corpo proporcionando um alto nível de concentração. É uma sensação orgástica 21.600 vezes mais intensa que a sensação sentida no sexo. É um nível de concentração único.

APEGO

O apego é o nosso vício mais arraigado. Resulta do nosso medo de perder o bem-estar que sentimos. Esse medo nos impulsiona a agarrar aquilo que acreditamos ser a fonte desse bem-estar. Amar sem apego é amar sem medo de perder. É compreender que a fonte de amor é interna; o externo é só um espelho do que já existe em nós, e não precisamos ter medo de perder o que já temos.

MOMENTO PRESENTE

Estar no momento presente é estar no nosso espaço interno. Nossa tendência é sairmos de nós mesmos e permanecermos no espaço dos outros. Ou trazermos os outros para o nosso espaço. O resultado é o mesmo: ausência do momento presente, ausência de nós mesmos.

Seja qual for a dificuldade que alguém lhe exponha ou imponha, não leve essa pessoa nem a dificuldade dela para seu espaço interno. Assim, também, se você deseja ajudar alguém em apuros, não saia do seu espaço e entre no espaço dessa pessoa. Fique sempre no seu próprio espaço, no presente da sua consciência, do seu poder interno. Quando nos perdemos de nós, perdemos o presente.


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